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Projetos de infraestrutura da EAF são destaque em congresso sobre a transformação digital do país
06/10/2026
Programas de fibra óptica na Amazônia e de rede segura de transmissão de dados sensíveis são ressaltados pelo papel estratégico na inclusão social e competitividade nacional
A infraestrutura digital tornou-se um ativo estratégico central para a competitividade, a segurança e a soberania do Brasil. Em evento de telecomunicações nesta terça-feira (06/10), em São Paulo, autoridades e lideranças do setor convergiram ao destacar que o avanço do 5G, a expansão das redes de fibra óptica e o ecossistema de data centers voltados à inteligência artificial são os pilares do desenvolvimento socioeconômico e fundamentais para levar inclusão digital a quem mais precisa.
A ampliação dessa infraestrutura de grande porte é viabilizada pelo trabalho da EAF (Entidade Administradora da Faixa), organização privada sem fins lucrativos criada por determinação do Edital do 5G. A entidade é responsável pela desocupação e limpeza da faixa de 3,5 GHz — permitindo a operação do 5G em uma frequência exclusiva —, pela implantação de redes de fibra óptica de alta capacidade na Amazônia e pela construção de uma rede privada e segura para a transmissão de dados críticos do Governo Federal. Promove também estudos sobre a implantação de um data center soberano de inteligência artificial no país.
Durante a abertura do Futurecom 2026, representantes do setor privado, do Ministério das Comunicações, da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e do Congresso Nacional destacaram em suas falas o impacto efetivo na sociedade da expansão da tecnologia digital.
Abrindo os discursos do evento, o conselheiro da Anatel e presidente do Gaispi, Edson Holanda, ressaltou a importância da atuação conjunta no setor e o foco na expansão do acesso. “Vivemos num condomínio, onde cada peça é importante. Nada se faz sozinho. São três décadas em torno de uma pergunta simples, mas importante: como conectar melhor os brasileiros. É um grande desafio”, observou.
“Falamos em conectividade significativa, em capacidade de uso, mas tudo parte do acesso. É a conectividade básica, e ainda temos brasileiros esperando por ela. A cobertura não é apenas um indicador, é dignidade. O 5G é um dos maiores passos nesse sentido, ao levar cobertura para localidades afastadas, rodovias, escolas, instalar fibra óptica de alta capacidade na Amazônia e também garantir segurança nas comunicações do governo”, completou Holanda.
O conselheiro referia-se a entregas históricas executadas pela EAF sob diretriz do Gaispi, como as infovias subfluviais do Norte Conectado e a construção da Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal. Projetada para proteger informações estratégicas do Estado, a Rede Privativa conta com um diferencial de vanguarda internacional: a adoção da criptografia pós-quântica desde a concepção do projeto, antecipando-se a futuras ameaças de cibersegurança e computação avançada.
“O futuro já começou. Entre os grandes desafios que vejo pela frente, um deles é a cibersegurança. Não pode ser pensada depois, tem que ser pensada na origem das redes”, enfatizou Holanda. “A conectividade tornou-se infraestrutura para o desenvolvimento do país. Nosso papel é garantir regras claras, competição e investimento, e que os investimentos cheguem a todos. O sucesso será medido na casa de quem não tem sinal, na escola, na estrada, no pequeno produtor que consegue vender e receber via Pix.”
Impulso aos data centers, Redata e inteligência artificial
Na sequência, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira, ressaltou o papel da infraestrutura digital na atração de investimentos globais e na interiorização do desenvolvimento. “Buscamos fortalecer a infraestrutura digital no Brasil com as novas tecnologias, data centers e soluções por satélite. Queremos garantir que a conectividade chegue aos brasileiros nos cantos e recantos. Falar de transformação digital é falar de infraestrutura e desenvolvimento regional. A conectividade amplia o acesso a serviços, e só com conectividade de qualidade podemos garantir que as novas tecnologias se transformem em oportunidades.”
O ministro destacou a posição de relevância internacional do país no ecossistema de armazenamento de dados. “A infraestrutura digital é uma agenda estratégica para o desenvolvimento do país. O Brasil é o 12º mercado de data centers no mundo e vive um grande momento, com todo mundo de olho no país. O Redata é o grande incentivo para a atração de investimentos, e estamos trabalhando fortemente na sua regulamentação.”
A criação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura de Data Centers (Redata) impulsiona diretamente novos projetos de infraestrutura soberana. É o caso do estudo de viabilidade conduzido pela EAF, a pedido do Gaispi e da Anatel, para o desenvolvimento de um data center de inteligência artificial para o Governo Federal. A desoneração tributária sobre equipamentos de ponta promovida pelo Redata reduz custos e viabiliza a criação de uma estrutura pública capaz de hospedar dados sensíveis e operar modelos de linguagem com autonomia nacional.
Inclusão, Fust e soberania digital
Encerrando as falas de abertura, o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista de Telecomunicações e Soluções Digitais, Juscelino Filho, reforçou a atuação do Poder Legislativo em prol do avanço regulatório e do financiamento setorial.
“Uma das prioridades é seguir atuando pelos avanços que ainda são muito necessários no nosso país, para a inclusão digital de milhões de brasileiros, sobretudo nas regiões mais afastadas”, declarou. Ele lembrou o impacto das políticas de financiamento: “O destravamento de recursos do Fust permitiu implantar milhares de quilômetros de fibra óptica.”
Juscelino Filho também celebrou a aprovação do marco do Redata como divisor de águas para a competitividade brasileira no exterior. “Houve um destaque fundamental para a lei do Redata, que vai incentivar a instalação de data centers no país, atraindo investimentos importantes, fortalecendo a geração de empregos e a nossa soberania e economia digital. É um passo decisivo no cenário internacional, que fará do Brasil um dos protagonistas em armazenamento e processamento de dados. Estamos no caminho certo para ter um Brasil mais conectado e melhor para todos os brasileiros.”
Destaques no evento
A expansão da infraestrutura digital no país com os investimentos gerados pelo leilão do 5G e seus resultados positivos para a sociedade são destaques que a EAF apresenta na Futurecom. O estande temático da entidade no congresso conta com um ambiente imersivo, ambientado como uma embarcação regional, que destaca a engenharia e a logística de instalação dos cabos subfluviais do programa Norte Conectado.
Além da exposição interativa, a presidente da entidade, Gina Marques, participa nesta quinta-feira (8/10), às 13h30, do painel “Inclusão digital: letramento digital e acessibilidade tecnológica”, ao lado de representantes do Ministério das Comunicações e de entidades do setor para debater a redução das desigualdades por meio do acesso à tecnologia.