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Brasil entra no mapa mundial das redes privativas de segurança de governo

11/09/2026

Projeto executado pela EAF coloca país em grupo formado por EUA, França e Coreia do Sul, entre outros; iniciativa brasileira assume vanguarda na América Latina

O colapso na comunicação entre bombeiros, policiais e outras instituições de segurança pública durante o atentado de 11 de setembro de 2001 — tragédia que completa 25 anos este mês — foi o estopim para que os Estados Unidos criassem a FirstNet, modelo de rede privativa de segurança. O exemplo norte-americano foi seguido por potências como França, Alemanha e Coreia do Sul, entre outras nações. Agora, sob a execução da Entidade Administradora da Faixa (EAF), o Brasil se junta a esse grupo global e assume a vanguarda na América Latina ao implementar uma infraestrutura de telecomunicações de missão crítica para forças de segurança e uma rede fixa governamental com criptografia de Estado 100% nacional.

O processo de consolidação da rede de segurança nos EUA exigiu um longo percurso até ser lançado oficialmente, em março de 2018. O Brasil, por sua vez, acelera esse ritmo. A implementação do ecossistema nacional começou em 2026, já iniciou operação em alguns locais e segue em expansão, com previsão de cobertura completa em 2027.

Além de iniciativas de referência como a FirstNet, nos Estados Unidos, e a RFF (Réseau Radio du Futur), na França, diversos países mantêm projetos avançados de comunicações críticas — a exemplo de Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Suécia, Noruega, Hungria, Austrália e Coreia do Sul. Enquanto nações como Alemanha, Bélgica e Países Baixos já operam redes de segurança pública consolidadas no formato tradicional, países como a Finlândia lideram a migração desses sistemas para arquiteturas modernas baseadas em 4G e 5G.

Essa movimentação reflete uma tendência global: a transição dos sistemas de rádio profissional de voz (os chamados push-to-talks) para redes móveis de banda larga (LTE e 5G), capazes de trafegar vídeos em tempo real, dados e geolocalização. Em paralelo, nações avançadas também substituem conexões comerciais por infraestruturas próprias, garantindo alta velocidade e proteção cibernética às comunicações de Estado. No Brasil, o projeto da Rede de Comunicação Privativa da Administração Pública Federal responde a essa evolução global estruturando-se em dois pilares independentes e complementares:

  • Rede Privativa Móvel de Missão Crítica (Segurança e Emergências): voltada à atuação em campo de polícias, bombeiros e agentes de resgate. Funciona na arquitetura de Operadora Móvel Virtual Segura (SMVNO, na sigla em inglês), em LTE/5G, com prioridade absoluta de tráfego. O modelo garante estabilidade em cenários de crise e permite a transmissão de dados pesados — como vídeos em alta definição, imagens de drones, geolocalização e consultas a bancos de dados — em substituição aos antigos rádios restritos à voz.
  • Rede Privativa Fixa (Administração Pública Federal): infraestrutura subterrânea de fibra óptica isolada da internet comercial, que funciona como uma “estrada digital” exclusiva para os dados do Governo Federal. Com obras já implantadas e capacidade para atender, até o momento, mais de 350 prédios em 24 capitais (restando apenas São Paulo, Cuiabá e Manaus), a malha prevê ativação em seis localidades até outubro de 2026, expansão para 22 cidades em dezembro e conclusão nas capitais restantes até 2027. Seu grande diferencial é a criptografia de Estado, já preparada para a era pós-quântica.

O projeto é executado pela EAF, sob supervisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência (Gaispi). Com a conclusão das etapas de infraestrutura, a gestão é direcionada ao Ministério das Comunicações.

Vanguarda na América Latina e Modelo Regulatório do 5G

O diferencial do Brasil na América Latina está na escala e na abrangência do projeto. A iniciativa conecta órgãos públicos nas 27 capitais e estabelece uma arquitetura única, combinando conectividade móvel para forças de segurança, uma rede subterrânea de fibra para a administração federal e proteção cibernética sobre as informações do Estado.

Segundo a presidente da EAF, Gina Marques, a viabilização de todo o ecossistema baseou-se em uma engenharia financeira e regulatória inovadora. O governo brasileiro transformou obrigações associadas ao Leilão do 5G de 2021 em um legado permanente de infraestrutura pública, sem depender de recursos do orçamento da União.

“O grande mérito do projeto brasileiro é não olhar a comunicação crítica apenas como conectividade. Estamos construindo uma infraestrutura estratégica de Estado, combinando fibra óptica, mobilidade, interoperabilidade, alta disponibilidade e criptografia nacional. E fizemos isso a partir de um modelo de financiamento que transformou compromissos do leilão do 5G em um legado permanente para o Brasil”, disse Gina Marques.