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Apagões e ventanias no Sudeste evidenciam a importância da comunicação de missão crítica no país

31/07/2026

A possível paralisação de redes convencionais em emergências reforça o papel da Rede Privativa Móvel do Governo Federal, que completou um mês de operação em Brasília garantindo canal seguro para forças de segurança

Os recentes impactos causados pelas fortes ventanias no Rio de Janeiro e em São Paulo, que resultaram em pelo menos 5 mortes, apagões, estragos e sobrecarga nos serviços de infraestrutura, reacendem o alerta para a vulnerabilidade das comunicações tradicionais em momentos de crise extrema. É exatamente para evitar a interrupção no atendimento de emergências nesses cenários que a Rede Privativa Móvel de Missão Crítica está sendo desenvolvida pela Entidade Administradora da Faixa (EAF).

O projeto piloto dessa tecnologia está em funcionamento há um mês em Brasília (DF). A capital federal reúne as condições ideais para testar a infraestrutura por concentrar as sedes dos Três Poderes e receber diariamente eventos de grande porte. A iniciativa busca integrar a comunicação das forças de segurança e resgate em operações conjuntas, garantindo que agentes de diferentes instituições troquem mensagens sem o risco de queda de sinal ou congestionamento.

A Rede Privativa Móvel de Missão Crítica é uma das obrigações previstas no Edital do Leilão do 5G. O projeto é executado pela EAF, sob supervisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência (Gaispi). Após a conclusão da implantação, a infraestrutura é entregue ao Ministério das Comunicações, responsável por sua destinação e gestão.

Integração inédita e prioridade de sinal

A principal inovação da rede é permitir que diferentes instituições ligadas à Segurança Pública compartilhem um mesmo ambiente de comunicação, superando uma limitação histórica das operações integradas. Com a nova tecnologia, órgãos como a Polícia Militar do Distrito Federal, o Exército Brasileiro, a Polícia do Senado, a Polícia da Câmara dos Deputados e o Corpo de Bombeiros já podem se comunicar em tempo real por meio de um canal seguro e criptografado, utilizando seus próprios equipamentos de rádio.

A integração fortalece a coordenação entre as equipes em situações que exigem resposta imediata, como grandes desastres naturais semelhantes aos registrados nas duas maiores capitais brasileiras nessa quarta-feira (29). A tecnologia também pode ser considerada essencial para operações de Defesa Civil, visitas de chefes de Estado e manifestações públicas.

“O grande diferencial da Rede Móvel de Missão Crítica é garantir um mecanismo de prioridade e preempção. Em uma situação de crise ou em grandes aglomerações, a chamada de emergência dos agentes de segurança é priorizada para que o atendimento não pare”, afirma Geraldo Segatto, diretor de Operações das Redes Privativas da EAF.

Na prática, enquanto a população e os serviços comerciais enfrentam oscilações ou falta de sinal de telefonia durante ventanias, tempestades ou eventos de grande público, a Rede Privativa Móvel assegura que a comunicação crítica entre bombeiros, policiais e socorristas permaneça 100% disponível.

Expansão nacional

A expectativa é que a tecnologia seja expandida gradualmente para outras unidades da federação, fortalecendo a capacidade de coordenação entre forças estaduais e federais em emergências em todo o país.

Além da comunicação por voz, por meio da tecnologia Push-to-Talk (PTT), a evolução do projeto prevê a incorporação de serviços de dados em redes LTE e 5G. Isso significa que, nas próximas etapas do projeto, os agentes de segurança poderão compartilhar vídeos em tempo real, imagens, mapas de localização e outros arquivos estratégicos durante as operações, acelerando as tomadas de decisão.